Dácio Lima (1952-2002)
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Nascido no interior do Maranhão, Enoch Dácio Oliveira Lima, nasceu em mil novecentos de cinqüenta e… não se sabe bem ao certo, pois um incêndio no cartório de sua cidade natal fez com que muitas certidões de registro de nascimento tivessem suas datas alteradas.

Completaria em 2002, provavelmente, 50 anos e pouco mais de 25 de atividades artísticas realizadas.

Cresceu em Brasília. A cidade sempre o fascinou por sua espacialidade e horizonte infinito. No começo da “carreira” tinha o tempo dividido entre as artes e um cargo importante no Banco Central.

Jovem, questionador e talentoso em Brasília

Brasília era uma cidade jovem e Dácio foi um dos criadores do seu movimento artístico.

Questionador dos valores e padrões sociais, Dácio, atuou, dirigiu, escreveu sobre a temática brasiliense e adaptou textos com temas nacionais.

Formou nessa época o seu primeiro grupo, o “Máscaras”.

Em 1976 e Dácio levava para a cena, em sua primeira direção, o popular Auto da Compadecida, que comemorava o seu 20o aniversário. Suassuna, na capital Federal, viu e gostou.

O “Quarto”, texto de sua autoria, veio a seguir, premiado pelo antigo SNT – Serviço Nacional de Teatro.

Dramaturgia dos atores

“Centro Oeste S.A.”, no ano de 1980, foi a primeira montagem dirigida por Dácio que não se baseava em nenhum texto previamente escrito.

Iniciava-se ali sua marca – a condução do processo criativo de um grupo, tendo os atores como co-autores do texto ou roteiro. Por “obra do destino”, “Centro-Oeste S.A.” virou livro.

Do Brasil para a Europa

O começo da década de 80, segundo Dácio, “era o início da Abertura política, da mudança de um processo histórico. Não valia mais a pena gritar ‘Abaixo a Ditadura!’, um momento chato, indefinido. Esse estado de coisas me empurrou para a Europa”.

Na Europa, fixou-se em Paris e estudou com Jaques Lecoq e Philippe Gaulier. “Era o que eu estava procurando. Um estudo mais estruturado. Foi uma relação com o que sempre quis: um teatro do movimento, onde a pessoa está inteira. Um exercício de olhar a realidade e recriá-la no palco. Não apenas imitá-la”.

De volta ao Brasil

A volta para o Brasil é marcada por novas idéias e Dácio resolve pesquisar sobre a linguagem dos quadrinhos. Surge “Superzé, o espaço selvagem”. O espetáculo estréia em Brasília e segue para o Rio, onde Dácio fixa nova residência.

No Rio, uma nova fase se inicia: a pesquisa sobre as possibilidades de comunicação por meio do silêncio. Dácio reúne um grupo coeso que, durante cerca de um ano, pesquisa a linguagem do clown. O resultado foi o pioneiro espetáculo “Os Clowns”.

O novo gesto

Um Teatro com base no gesto e com suporte técnico da pesquisa e do jogo de máscaras, deu origem à Companhia do Gesto.

E Dácio passou a cada vez mais se empenhar na função de Educador, uma de suas principais atividades, formando atores em todo o país.

O espetáculo que deu seqüência à pesquisa da Companhia do Gesto foi “As Máscaras”. Dácio recebe a indicação ao Prêmio Mambembe de Melhor Diretor, em 1989.

As pesquisas levam Dácio a montar “O Baile” e contar, sem palavras, 40 anos da história brasileira. Um verdadeiro desafio entre sutileza e clareza.

Com pouco mais de 10 anos trabalhando com a linguagem do gesto (segundo Dácio o corpo do ator é o seu principal instrumento), a Companhia do Gesto decide então unir a linguagem gestual e as técnicas de máscaras a um texto clássico: “MacBeth”, de Shakespeare.

O antigo projeto ganhou nova leitura e foi levado ao palco unindo atores com  e sem máscaras. “MacBeth – a Tragédia da Ambição”, foi resultado de um árduo processo, com um polêmico resultado.

Depois da tragédia, a alegria

Para distanciar-se dos ares obscuros da tragédia shakespeareana, a Companhia retoma a linguagem dos clowns que ainda não havia sido explorada até o limite.

Cláun! Palhaços Mudos” foi criado pelo trio Dácio Lima, Gulu Monteiro e Luís Igreja que, ao longo de todos esses anos, estiveram juntos, formando a base da Companhia do Gesto. Foi o último trabalho roteirizado e montado por Dácio Lima, entre 1999 e 2001.

Ao falecer em 2002, Dácio trabalhava com um grupo jovem em oficinas na sede da Companhia, em Botafogo, para a construção de um novo projeto de palhaços, “A Menor Máscara do Mundo”.

A poesia do palhaço, a sensibilidade das máscaras e a dimensão do silêncio eram as ferramentas que Dácio utilizava para encantar platéias e despertar seus atores e alunos para novos horizontes.